segunda-feira, 23 de maio de 2011

Deixa eu te esquecer aos pouquinhos?

Saia devagar tal qual um amante na madrugada.
Por favor não corra.

Dilua-se dentro de mim até restar só a voz.
A voz que já disse eu te amo e que agora só grita me esqueça.
Eu quero que você se desintegre calmamente, pedaço por pedaço, até restarem apenas os olhos, os mesmo que me fitavam carinhosamente bem antes de conterem esse ódio.

Me dê seu rosto cravado em mármore só pra lembrar como era sem essa feição escancarada e cruel.

Não finja que se importa.
Só deixa eu te esquecer aos pouquinhos.

terça-feira, 29 de março de 2011

Cavaleiro de Papel

E tudo se resume a uma mesa de bar,
Garrafas, cigarros, vidros estilhaçados.
De repente um cavaleiro de papel pede um olhar,
Eu olho.
E tudo se transforma num mar de certezas incertas.
Ninguém mais sabe se a água queima ou gela.
E no final, a única incerteza certa
É a de que o cavaleiro de papel é mel e fel.
Ele sai musicando com sua guitarra pelas estradas da vida vã.
Pobre cavaleiro que não encontra seu destino
E se perde na vida dos comandados,
Esqueceu sua arte e seu brilho.
Esqueceu de se encontrar.